quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
QUERO QUE TE LEMBRES DE MIM
Quero que deixes na minha boca
as palavras que nunca me disseste
e que eu espero tanto ouvir
Quero que leias nos meus olhos
o meu poema silenciado
e que o digas a sorrir
Quero sentir que ao partires
te vás lembrar de mim
com um terno e doce sorriso
Quero que te lembres de mim
como um poema perfeito
uma pintura de Rafael
como aquele livro inesquecível
Quero que te lembres de mim
ouvindo
a nossa musica preferida
no aconchego de uma lareira
Quero que te lembres de mim
como uma brisa de vento
como chuva a beijar-te o rosto
como um olhar abraçando
Quero que te lembres de mim
como uma estrela cintilante
mesmo que não seja para ti brilhante
Quero que te lembres de mim
como lua cheia
mesmo que me sintas quarto minguante
quero que te lembres de mim
como uma flor que canta
nos campos solitários
do meu Alentejo
pois o sofrimento é maior se sentir
quando te fores embora
que não me guardas em ti.
Ester Cid
(ao abrigo do código do autor)
Imagem:Google
sábado, 6 de dezembro de 2014
Ribeira doce
Aquela ribeira doce e mansa que corre entre pequenos montes, entalada por pedras grandes e surdas, extensa e solitária planície alentejana, sonhou um dia conhecer o mar.
Abraçou as terras secas e gretadas pelo sol, cantou com as cotovias um belo cântico que suavizava a vida das gentes que trabalhavam as terras, dançou alegremente com o vento, confidenciou o seu sonho à chuva e correu sem cansaço para o concretizar.
Mas - há sempre um mas na vida das belas ribeiras que sonham conhecer o mar - a ribeira cresceu com a cumplicidade da chuva e encontrou rios que quiseram ser seus donos, que lhe apertaram os contornos do sonho e a encheram de lágrimas que salgaram a sua doce água (as ribeiras não nascem para ter donos).
A ribeira começou a perder a doçura e a mansidão, perdeu as forças e o Norte, começou a secar lentamente nas terras gretadas e secas pelo sol. Mas todas as noites confidencia às estrelas e à lua que não vai morrer sem conhecer o mar.
Ester Cid
(ao abrigo do código do autor)
imagem:Google.
Abraçou as terras secas e gretadas pelo sol, cantou com as cotovias um belo cântico que suavizava a vida das gentes que trabalhavam as terras, dançou alegremente com o vento, confidenciou o seu sonho à chuva e correu sem cansaço para o concretizar.
Mas - há sempre um mas na vida das belas ribeiras que sonham conhecer o mar - a ribeira cresceu com a cumplicidade da chuva e encontrou rios que quiseram ser seus donos, que lhe apertaram os contornos do sonho e a encheram de lágrimas que salgaram a sua doce água (as ribeiras não nascem para ter donos).
A ribeira começou a perder a doçura e a mansidão, perdeu as forças e o Norte, começou a secar lentamente nas terras gretadas e secas pelo sol. Mas todas as noites confidencia às estrelas e à lua que não vai morrer sem conhecer o mar.
Ester Cid
(ao abrigo do código do autor)
imagem:Google.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
OLHAR PARADO.
Assola-me
o
medo
da
solidão
.
Nos
olhos
parados
de
uma
mulher
.
Sentada
ao
sol
da
escuridão
.
Assola-me
o
medo
da
solidão
.
Nos
olhos
parados
De
um
idoso
.
Que
já
(vive)
.
sem
ilusão
De
viver
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
Cumplicidades
Sempre gostei de caminhar à chuva
a chuva foi minha cúmplice e companheira
nos momentos de dor
juntou as suas gotas cristalinas com as minhas lágrimas
chorando juntas
o sol espreitou o nosso caminhar
e ouvi a chuva dizer ao sol
a minha amiga está a trocar-me pela neve
respondendo o sol, não a conheço
nunca nos demos bem
a branca neve entrou na conversa
e disse-lhes
senhora chuva e senhor sol
não sei o que se passa com a nossa poeta
hoje nem quase me olhou
dançava e cantava
com o senhor vento
sorri à chuva
acariciei a neve
o sol fraco e envergonhado
juntou-se timidamente a nós
e rindo dançamos com o vento
uma doce música
como se voássemos
a chuva foi minha cúmplice e companheira
nos momentos de dor
juntou as suas gotas cristalinas com as minhas lágrimas
chorando juntas
o sol espreitou o nosso caminhar
e ouvi a chuva dizer ao sol
a minha amiga está a trocar-me pela neve
respondendo o sol, não a conheço
nunca nos demos bem
a branca neve entrou na conversa
e disse-lhes
senhora chuva e senhor sol
não sei o que se passa com a nossa poeta
hoje nem quase me olhou
dançava e cantava
com o senhor vento
sorri à chuva
acariciei a neve
o sol fraco e envergonhado
juntou-se timidamente a nós
e rindo dançamos com o vento
uma doce música
como se voássemos
terça-feira, 18 de novembro de 2014
Laço
imaginar o teu olhar
que se perde no rio
encontrar dentro desse olhar
o que desejo
(e)
no meu ventre
que incendeias
como quem prende o fogo
e se desprende
num laço que me enlaça
sem ser nó
sabe o meu corpo e sabe o teu
que laço é coisa que gostamos
(e)
porque nós, são amarras e não laços
laço não aperta e não é nó
sabe o meu corpo e sabe o teu
dar aquele laço e ser um só
Ester Cid
(ao abrigo do código do autor)
fotografia:Google
sábado, 8 de novembro de 2014
MÃOS
Hoje
levantei o braço
o punho cerrei e Avante cantei
hoje
plantei flores ao meu jeito
para colher amores perfeitos
hoje
escrevi um poema de esperança
num amanhã de mudança
hoje
dei a mão á minha moda
com as crianças dancei as nossas canções de roda
hoje
bordei o vestido para a minha neta Maria
com o pensamento feliz de lho ver vestido um dia
hoje
com as minhas mãos aliviei as dores de costas do senhor João
mesmo sabendo que amanhã
quando eu ao lar voltar
ele me diga que não
e nem de mim se lembrar
hoje
abri as minhas mãos para num bebé pegar
e gostei do que senti
quando deixou de chorar
hoje
com as minhas mãos ajudei -te amiga a caminhar
hoje
quem me fez companhia e me aconchegou o coração
viu um cravo vermelho florir na minha mão
são tantas as coisas
tantas... que eu faço e posso fazer com as minhas mãos
hoje
não senti solidão
nem as mãos vazias e frias
bastou para isso que eu deixasse de querer as tuas mãos
sem as ter
e aprender o que fazer com as minhas
Ester Cid
(ao abrigo do código do direito de autor)
Imagem: Google
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
Tempo de Revolução
Tempo de revolução
tempo
de dor
tempo
de perda
e de desamor
tempo
de prisão
tempo
sempre... o tempo
tempo
depois do adeus
tempo
de vila morena
tempo
de liberdade
tempo
de revolução
tempo
sempre... o tempo
tempo
de não te ver sorrir
tempo
de não ter tempo
de viver Abril
tempo
de não ter tempo
de te abraçar
tempo
de não ter tempo
de não chegar a tempo
e a revolução passar
tempo
de não chegar
tempo
e tu camarada
não esperares
Ester Cid
Fotografia de Emanuel Pereira Aparício Ribeiro
sexta-feira, 24 de outubro de 2014
Se o meu corpo fosse um rio
Se o meu corpo fosse um rio
caravela fosses tu
mastros mãos entrelaçadas
navegando em corpo nu
Se o meu corpo fosse um rio
que se transformasse em (a)mar
(a)braços de mil marés
tenebrosas tempestades
numa noite sem luar
Se o meu corpo fosse um rio
azul casado com céu
teus lábios seriam pássaros
voando no corpo meu
Se o meu corpo fosse um rio
Deserto de águas sem fim
onde fosses naufragar
para emergires em mim.
Se o meu corpo fosse um rio
se navegasses em mim.
Ester Cid
Fotografia :Google
quarta-feira, 22 de outubro de 2014
Silêncio
Este silêncio feito de gritos, que todos nós alentejanos, trazemos dentro do peito. Este silêncio feito de gritos, que tanto nos dói.
Até onde irá a nossa resistência?
Temos um céu para voarmos por cima do rio, mas o nosso voo é de um pássaro ferido em plena Primavera.
As searas de trigo já não esperam por nós,os espantalhos laranjas apertam-nos as gargantas querendo calar o nosso cante.
E neste silêncio feito de gritos, esperam-nos sementeiras de esperanças e de sonhos por abrir.
Ester Cid
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
SALPICOS DE MAR
Naquele madrugar
depois
do meu olhar se perder
no horizonte acompanhando o mar
sentei-me na praia
como gaivota que espera voar
e ao invés de cantar como a gaivota
chorei
chorar não polui o mar
pois toda aquela água
são lágrimas de gente que ama sem ser amado
se eu tivesse aprendido a nadar
o mar seria perfeito
mas quando o meu olhar se perde
no horizonte acompanhando o mar
e tu mar me vens beijar
sinto mar que és a minha praia.
Ester Cid
Fotografia: Google
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
Outubro
Duas folhas amarelecidas
de cores outonais
num bailado com o vento
dançam juntas
vendo que estou só
sentada num banco de jardim
convidam-me a juntar
à sua dança
fazem-me sorrir
rodopiar
e nesse bailado outonal
fomos esperança
ternura
fomos abraço
paixão
fomos Primavera
noite de ilusão
estrelas, sol,luar
Madrugar
canção de roda
(e)
risos de criança.
Ester Cid
domingo, 21 de setembro de 2014
Vidas... Na minha vida
Existem pessoas que passaram pela minha vida,que ao partirem me deixaram vazia,outras ainda que não partem nunca, mesmo indo embora da minha vida.
São estas pessoas que me fazem sentir a diferença, entre estar só e sentir-me sozinha.
Ester Cid
terça-feira, 16 de setembro de 2014
Há palavras
Há palavras que pesam como pedras
Guardadas dentro de nós
roubam-nos as forças para caminhar
secam-nos os lábios, deixam-nos sem brilho no olhar
apertam-nos a garganta
fazem doer o coração
e transpirar as mãos
São como pássaros que nunca voam
e só por nós são escutadas.
Ester Cid
Fotografia Google
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
sábado, 30 de agosto de 2014
Ouves a chuva
Ouves a chuva e não dizes nada
ouves a chuva e já madrugada
escreves razões esperanças também
inventas abraços não sentes ninguém
escrever sem parar
num querer e não querer
nesse coração tanto por dizer
sentes a chuva e não dizes nada
cama ainda feita e é já madrugada
inventas beijos nas palavras certas
ouves gargalhadas nas ruas desertas
há tudo em ti em troca de nada
choras com a chuva e é já madrugada
ouves a chuva e não dizes nada
gritos calados em porta fechada
noite sem dormir inventando o amor
acordas o dia com sorriso em flor
Ester Cid
(ao abrigo do código do autor)
Fotografia:Google
quarta-feira, 20 de agosto de 2014
voos
Conheço o cantar dos pássaros
sei quando o canto é da cotovia
do melro ou do rouxinol
que há pássaros só cantam quando anoitece
outros ao nascer do sol
(e)
rompe o nascer do dia
mas neste caminho em que semeei palavras
(e)
só colhi silêncios
existe um pássaro dentro de mim
que silenciou seu cantar
este pássaro solidão tem asas e quer voar.
Ester Cid
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
METADES
Não quero
metade
de
nada
Não quero
meios abraços
não quero
meios afagos
não quero
meios sorrisos
não quero
meias verdades
metade
é
meias tintas
não quero
meias tintas
estou-me
nas tintas
para as metades
porque afagos
verdades
carinhos
abraços
beijos
só existem
se forem
completos
inteiros
e nos afectos
eu dou-me
inteira
Ester Cid
(ao abrigo do código do direito de autor)
VITÓRIA DA SAMOTRÁCIA – século II a.C.
sábado, 9 de agosto de 2014
A MENINA
A
meninatinha todos os sonhos do mundo
aqueles sonhos
inofensivos
como só as meninas/os
sabem sonhar
o avô ensinou-a
a ser solidária
com um sentido
tão profundo
que a menina
aprendeu
como é importante
sonhar
como é importante
dar
como é importante
ser livre
como é importante
lutar
pelo o que acreditamos
o tempo passou e a menina cresceu
como só as meninas/os
sabem crescer
de repente
o mundo apertou-lhe
os contornos
do sonho
e
pela primeira vez
sentiu
a angustia de um não
ficou assustada
até submissa
e viveu anos a fio
o que nunca sonhou
numa madrugada
num gesto suicida
disse para ela
não quero
esta vida
e para seu espanto
a garganta gritou
com alegria
sem pranto
desafio
quem
me
queira
matar
ou
tirar
os sonhos
são meus
herança
do
meu avô
não me matam os sonhos
porque eu não deixo.
Ester Cid.
(ao abrigo do código do direito de autor)
Pintura: Frida Kahlo "O Marximo Dará saúde aos Doentes"
quarta-feira, 30 de julho de 2014
Mulher I
Não te deixaram dormir e tu sonhaste acordada
roubaram-te o sorriso e tu inventaste outro
gritaram-te ofensas e tu ensurdeceste
ordenaram que te calasses e tu escreveste
roubaram-te a Liberdade e tu lutaste
bateram-te e tu não deste a outra face
prenderam-te e tu saíste da "prisão"
uma criança sorriu-te e tu choraste.
Ester Cid
Fotografia :Google
terça-feira, 29 de julho de 2014
Mãe...Minha
Como ninguém
a minha mãe dividia afectos
multiplicava colo(s)
diminuía lágrimas
somava sorrisos
subtraia tristezas
(e)
ensinou-nos como ninguém
a amar
a sua matemática
Ester Cid
(ao abrigo do código do autor)
Fotografia: Eu, a amamentar a minha filha Patricia.
a minha mãe dividia afectos
multiplicava colo(s)
diminuía lágrimas
somava sorrisos
subtraia tristezas
(e)
ensinou-nos como ninguém
a amar
a sua matemática
Ester Cid
(ao abrigo do código do autor)
Fotografia: Eu, a amamentar a minha filha Patricia.
sábado, 26 de julho de 2014
quarta-feira, 23 de julho de 2014
PONTES
Pontes de madeira
de ferro de pedra
provisórias romanas
de corda
para durarem dias
ou eternamente
feitas por maquinas
ou pelas mãos da gente
pontes de amor
que no fazem caminhar
até ao céu , tocar as estrelas
que nos fazem sentir na lua
que atenuam a dor
da saudade
que te fazem chegar a mim
para me fazeres sentir tua
pontes de amor e de amizade
pontes assentes em pilares
de camaradagem
pontes que aquentam tempestades
pontes que por vezes interrompemos
a caminhada
ficando a saudade
no coração guardada
pontes com pilares de sorrisos compreensão
de desacordo cumplicidades
partilhas e tarefas repartidas
histórias de luta e de vidas
pontes que são o nosso porto de abrigo
pontes que nos levam ao abraço do amigo
pontes...pontes... sempre pontes.
adoro pontes
daquelas pontes fortes
por serem construídas colectivamente
conseguem destruir muros
pontes feitas pela nossa gente
pontes de caminho indestrutível
pontes de luta sonho verdade e doçura
pontes dos afectos
amor e ternura
Ester Cid
Fotografia: Ponte Romana (Monforte Alto Alentejo)
terça-feira, 22 de julho de 2014
Nu jasmim
Despes-me
e
nesse nu jasmim
as
borboletas
que pairam no teu olhar
percorrem-me o corpo
numa busca certa do que é incerto
sonho consentido
entrega de dois corpos
um raio de lua perdido
oásis em seco deserto
mares agitados de prazer
chuva fria aquecida
com o teu corpo no meu
onde dentro me lavras
planícies semeadas
em campos férteis da tua seiva
em melodia de ventos
que me percorrem
suspiros
de orgasmos
neste acordar prometido
maior do que a madrugada.
Ester Cid.
Pintura:Renata Brzozowska
e
nesse nu jasmim
as
borboletas
que pairam no teu olhar
percorrem-me o corpo
numa busca certa do que é incerto
sonho consentido
entrega de dois corpos
um raio de lua perdido
oásis em seco deserto
mares agitados de prazer
chuva fria aquecida
com o teu corpo no meu
onde dentro me lavras
planícies semeadas
em campos férteis da tua seiva
em melodia de ventos
que me percorrem
suspiros
de orgasmos
neste acordar prometido
maior do que a madrugada.
Ester Cid.
Pintura:Renata Brzozowska
segunda-feira, 21 de julho de 2014
ADORO
esse teu sorriso
que me embaraça
esses lábios que me sorriem
essa boca que me espera
transformar a noite uma quimera
quando sonho beijar a tua boca primavera
adoro
essa tua boca poema
dos meus sonhos
que digo a cantar
de olhos fechados
poemas de desejo
do teu (a)mar
(e)
que quero sentir
quando acordado
saudade que desespera
quando anseio ter-te ao meu lado
adoro
esse teu olhar esquivo
quando me apanham furtivamente
a mirar-te
adoro
esse teu olhar
da cor dos teus poemas
onde existem mil silêncios guardados
rios de tristeza e alegria
adoro
as nossas mãos que se entrelaçam
com laços madressilva e jasmim
transformas o meu corpo sol de inverno
com a poesia vais deixando em mim.
Ester Cid
(ao abrigo do código do autor)
fotografia:google
quarta-feira, 16 de julho de 2014
segunda-feira, 7 de julho de 2014
Guarda os poemas que te dei
Guarda os poemas que te dei
como se fossem cravos vermelhos
revolucionando apaixonadamente o teu sentir
como se fossem papoilas rubras
dançando ternamente no teu coração
como se fossem gotas de chuva
acalmando o que te inquieta
Guarda os poemas que te dei
como se fossem pedaços de lua e estrelas
sol da manhã,madrugadas
guarda na tua mão a minha dorida mão
e trás de volta o teu olhar
que me fez escrever
os poemas que te dei.
Ester Cid
(ao abrigo do código do autor)
Fotografia: Google
quarta-feira, 2 de julho de 2014
CATARINA
Alentejo... meu amor
nasceu em ti a ceifeira
que no ventre tinha vida colhida na sementeira
tingiu os campos de sangue
a ceifeira e camarada
nasceram rubras papoilas
num campo sem pão sem nada
gritando por liberdade urgente revolução
searas de dor suor esperança amor e coração
Alentejo semeado
com sementes de paixão
fazendo searas mil com a força da razão
Meu Alentejo sonhado.
Ester Cid
(ao abrigo do código do autor)
Gravura de José Dias Coelho - morte de Catarina Eufémia
terça-feira, 24 de junho de 2014
Chuva na madrugada
Ouves a chuva e não dizes nada
ouves a chuva e já madrugada
escreves razões esperanças também
inventas abraços não sentes ninguém
escrever sem parar
num querer e não querer
nesse coração tanto por dizer
sentes a chuva e não dizes nada
cama ainda feita e é já madrugada
inventas beijos nas palavras certas
ouves gargalhadas nas ruas desertas
há tudo em ti em troca de nada
choras com a chuva e é já madrugada
ouves a chuva e não dizes nada
gritos calados em porta fechada
noite sem dormir inventando o amor
acordas o dia com sorriso em flor
Ester Cid
(ao abrigo do código do autor)
Fotografia:Google
quinta-feira, 19 de junho de 2014
VOOS
Somos como os pássaros
fazemos voos
com e sem regresso
temos ninhos de afecto que nos aninham
ninhos desfeitos
onde morreu o amor
que nos fazem sentir vontade de mudança
pássaros feridos com penas sem cor
asas no olhar e voos de esperança
quando nos aninham a nossa dor
voamos em bando como pássaros daninhos
ou como pássaros raros sozinhos
choramos à noite coruja
quando atacados por abutres noturnos
como a cotovia e o rouxinol
cantamos voamos ao nascer do sol
todos conhecemos gaiolas e grades
voos reprimidos e sem liberdade
uns morremos por ter medo
(e)
outros com medo de perder o medo
Ester Cid
(ao abrigo do código do autor)
Fotografia:São Nunes
Subscrever:
Mensagens (Atom)







.jpg)






.jpg)






.jpg)
.jpg)






