Quando raramente coloco (tenho medo de o perder) um fio de ouro, que tendo pertencido à minha bisavó, á minha avô, de quem também herdei o nome Ester e à minha mãe, pelos meus 14 anos veio parar a mim. Lembro-me de o meu avô materno olhar para mim com o olhar enternecido e orgulhoso, como se eu, com aquele minúsculo fio de ouro, trouxesse todas as mulheres da família ao seu olhar.
Lembro-me da cumplicidade que me unia ao meu avô em cada livro lido e explicado com a paciência que só os avós sabem ter, dos discos de vinil ouvidos em segredo à hora da sesta e de seguida guardados no baú dos segredos partilhados entre mim e o meu avô. Lembro-me de eu e o meu avó nos zangarmos por causa de um relógio de parede a que ele dava corda e gostava de ouvir dar horas ruidosamente e que eu detestava ouvir. Ainda por cima, aquele relógio dava também os quartos de hora.
Consegui entrar num acordo com o meu avô e o relógio de parede que se encontrava na sala era parado pelo meu avô, segurando o pêndulo do relógio até ele deixar de fazer aquele barulho, que para mim me parecia o barulho de um coração angustiado, todas as noites antes de jantar o relógio era silenciado e só voltava a "pulsar" depois de eu sair para as aulas.
Este ano, no último dia da Festa do Avante, apeteceu-me colocar ao pescoço o minúsculo fio de ouro. Senti que neste gesto levei todas as mulheres da minha família à Festa, lembrei o "pulsar" do relógio de parede, veio-me à memória as conversas entre mim e o meu avô, os seus sonhos de viver num país de liberdade. Senti que estava na hora de passar para a minha filha este legado das mulheres da família. Pensei em como seria bom ter o meu avô aqui neste deslumbramento de Festa da liberdade e da fraternidade, como gostava que ele soubesse que o jornal, que ele tantas vezes escondeu no baú, tinha uma Festa com o seu nome AVANTE.
Parece que neste parar de horas eu inconscientemente queria que o tempo parasse para agora o ter aqui comigo. E não é que senti tantas... mas tantas saudades de ouvir o barulhento relógio do meu avô "pulsar" novamente depois de o meu avô lhe dar corda.
Ester Cid
Festa do Avante 2011
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
BATOTA BOA
Hoje
resolvi fazer o jogo "batota boa"
não faças caso
coisas tontas de "poeta" tonta
que por vezes resultam
e me fazem bem ao coração
então
fechei os olhos
aconcheguei-me nas lembranças
vividas
e
muito ternamente
comecei a "colar-te"
nos momentos da minha vida
e
com "batota"
estás sentado comigo
no banco da escolinha
e dividimos o nosso lanche
estás comigo
na descoberta
do primeiro beijo
estás comigo
quando sofri
a primeira desilusão
estás comigo
na primeira
manifestação de Abril
estás comigo
no dia do meu casamento
estás comigo
quando fui mãe
pela primeira vez
e perdi o meu filho
no parto
estás comigo
quando feliz
me fui inscrever
no nosso
partido
estás comigo
quando mãe
pela segunda vez fui
e me senti
a mulher
mais completa
e realizada
do mundo
estás comigo
quando escrevo
o primeiro poema
estás comigo
quando festejo o 1º de Maio
em liberdade
estás comigo
quando fui operada
e
acalmas o meu medo
acalmas o meu medo
estás comigo
quando
desesperadamente só
caminho à chuva
de que tanto gosto
Estou com sono
não quero jogar mais
Porque será
que as coisas boas
chegam sempre
tardiamente
sábado, 1 de fevereiro de 2014
MULHERES DE ABRIL
Mulher revolução
rompeste
praças e ruas
inundando de cravos
a cidade
mulher liberdade
fez-te companhia
levando no regaço
as rubras bandeiras
guardadas há muito
no coração
das gentes
Depois do adeus
na esquina
esperava -nos
o rosto da
mulher igualdade
A mulher esperança
de mão dada
com a mulher fraternidade
sorriram-nos
abraçando-nos
e neste país
o nosso Abril
foi mãe, mulher
de muitos mil.
Ester Cid
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
PRIMAVERA
ninho quente
voos
ardentes de paixão
em mim
descobriste primaveras
arco-irís
céu azul
sol de verão
alegres voos
cantar
poesia
sem nunca sentires
a solidão
voaste
do meu corpo
sol de inverno
sem perceberes
que sou ainda Primavera
Ester Cid
BOTTICELLI - "Primavera"
domingo, 26 de janeiro de 2014
AMIGOS PARA SEMPRE.
amiga ester(inha)
Só tu!
minha querida
sou-te sempre sempre obrigado
como muito bem
sabes
.
és
a prática e a teoria
a coragem e a sensibilidade
a religiosidade e o desejo de comunhão
a doçura e a combatividade
a mulher da liberdade
de pensamento
e de acção
de luta
pela sociedade comunista
que ansiamos
e pela qual
sempre sempre
lutaremos
- mesmo que porventura nunca a vejamos
mas que sabemos virá
tarde ou cedo
virá -
.
tudo isso
és
numa só
única e una pessoa
que sempre sabe estar presente
nos momentos
cruciais
és
enfim
a verdadeira amiga
a verdadeira camarada
em toda a verdade
e singeleza
.
a ti
sei
que amo
mas também sei
que recíproco
é
.
sei
que me amas
sei que nunca me utilizarás
como carne para
"canhão"
como meio para os teus fins
nem os de quaisquer(s)
outros/as
- ainda que a tal quais cobras do paraíso
te venham aliciar
ao ouvido -
porque
os teus fins
são serão sempre comuns
com os meus
.
doce e corajosa
combatente mulher alentejana
muro forte
em monforte e abril construída
minha amiga
amo-te
sem medo da palavra amar
- como as pessoas
hábito
tem -
.
ser amigo
é estar lá
no momento certo
em que dele precisamos
com um braço sobre o ombro
um gesto um olhar
nos olhos
e não em lições de cátedra
nas nossas costas tecidas
em puríssima traição
sem sequer
nos
ouvirem
ou como víboras
que em nós se querem
enlaçar
mas quando
"não"
lhes dizemos
- repetidas vezes com toda a paciência deste e do outro mundo -
elas aí estão
com a sua língua bífida
a espalhar veneno
nas nossas
costas
entre
os que julgávamos amigos
que em todo o inesperado
- em breve aliciamento -
nos traiem
.
sim
sinto falta
de todos os dias acordar
e sentar-me a esta mesa
olhando (o) em torno
e dentro de
mim
deixando
sair
o que me atravessa
o que me surja
dizer
o que em cada manhã
melhor exprima o homem
que sou
o ser
transparente
como estas límpidas palavras
que da boca
me
saem
.
irei
voltar a escrever
sempre que tal me surja
como uma interior necessidade
que não possa suster
e apele a libertar-se
de mim
do mais dentro
de mim
.
eu
nunca
trairei os meus amigos
e se algo tiver a dizer-lhes
será
antes de mais
de olhos nos
olhos
mas antes
procurarei ouvir
o que a dizer
me têm
.
isso sim
é
ser
i
humano
e
amigo
fjc
Filipe Jorge Chinita
Querido amigo e camarada Filipe Chinita
Não me agradeças
mas por favor
continua a escrever.
não me agradeças
mas por favor
continua a dar-nos voz
no teu aniversário
disse-te
as tuas palavras
serão sempre
as nossas palavras.
por favor
não nos deixes
sem voz
escreve.
escreve sempre
precisamos de ti.
precisamos de ti
na nossa luta
por
um mundo
mais justo
mais humano.
da tua janela
observa
os trabalhadores
e conta-nos
o seu sentir
escreve
sobre o amor
ás mulheres
e das mulheres
como tu
tão bem
sabes.
faz-nos
sentir
lindas
especiais.
escreve sobre
o humano
como só tu
o consegues fazer
escreve
sobre a luta de classes
escreve
sobre os nossos
ideais
escreve
o que tu quiseres
e achares
mas, por favor
escreve.
obrigada
meu querido
amigo e camarada
Amo-te!
Esterinha
Arte: Luaninha Luana
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
A MENINA QUE SABE GUARDAR SEGREDOS.
Desejo que ao receberes este meu aerograma estejas bem de saúde - nós estamos bem, felizmente. Assim começavam sempre as centenas de aerogramas, cartas e postais que a minha mãe lia e escrevia para as suas vizinhas, amigas e camaradas. Era das poucas mulheres que sabiam ler na nossa rua do Alentejo.
Lembro-me de marcarem hora para irem lá a casa para que a minha mãe lê-se ou escrevesse aos maridos, namorados e filhos na guerra colonial... postais para os maridos, irmãos e pais presos em Caxias. Estas ultimas quase sem terem resposta( só mais tarde entendi o porquê) Era um partilhar de segredos, medos, aflições e esperanças. Lembro-me também da paciência e amor que a mãe tinha para resumir em palavras que bastassem aquelas intermináveis conversas, que como eram ditadas não cabiam no aerograma, carta ou postal.
Sempre que alguma mulher vinha ouvir ou ditar uma carta, eu e os meus irmãos já sabíamos que era tempo de brincar na rua ou no Inverno de irmos para a cozinha improvisada no quintal. A vida daquelas mulheres era partilhada com a minha mãe, com uma cumplicidade e amizade que embora muito menina me emocionava.
Uma tarde de Inverno a vizinha Maria Beatriz veio para que a minha mãe lhe escrevesse uma carta para o marido que estava a trabalhar em Lisboa. Assim que a vizinha chegou nós como habitualmente íamos sair para a cozinha do quintal
quando a mãe me chamou e disse "Filha, tu ficas. Vais aprender como tratar da correspondência das nossas amigas, para quando a mãe for para o hospital ser operada à perna tu poderes continuar a minha tarefa".
Lembro-me do orgulho e alegria que senti, lembro-me das centenas de aerogramas , cartas postais que li e escrevi. Nascida de uma família humilde alentejana, foi uma das heranças mais valiosas que a minha mãe me deixou.
Ester Cid
Imagem:google
domingo, 12 de janeiro de 2014
Sem volta
Uma noite
quando vires a lua pousada numa árvore
pensa por um minuto no poeta
cuja tristeza foi tão grande
que viajou para um país
de onde nunca nunca se volta
Ester Cid
Fotografia de Iain Wilson
terça-feira, 31 de dezembro de 2013
Ama-me!
Ama-me
ai
ama-me
na distancia
ama-me
quando
contemplares a lua
ama-me
sentindo-me
tua
ama-me
como
se não existe
amanhã
ama-me
quando
ternamente
te chamo
tonto
ama-me
porque sim
pronto
ama-me
quando
estou a rir
ama-me
sem me sentires
ama-me
em segredo
ama-me
com os meus medos
ama-me
na minha força
ama-me
no amanhecer
ama-me
quando choro
ama-me
quando digo
adoro
ama-me
como se não
me amasses
mas.
ama-me.
Poema de Ester cid
Fotografia de Emanuel Pereira Aparicio Ribeiro
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terça-feira, 10 de dezembro de 2013
ENCONTRA-ME
Se não souberes encontrar-me
procura-me
no vento que te beija
no sol que te aquece
nas gotas de chuva que contigo brincam
numa noite de lua cheia
na estrela mais brilhante
se não souberes encontrar-me
passa os teus dedos pelos teus lábios
e eu estarei lá
se não souberes encontrar-me
passa as tuas mãos pelo teu corpo
e irás encontrar-me nas palavras
com que terna e docemente te vesti
Se te perderes ao procurar-me
segue a voz do teu coração
e vais encontrar-me
vestida com o teu olhar
que um dia me abraçou.
Ester Cid.
3-Março 2012
LORENZO GHIBERTI – “Porta do Paraíso” (1453)
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
sábado, 30 de novembro de 2013
O TEU OLHAR
Sabes
sei
ver
no
teu
olhar
o
teu
sentir
quando
estás
triste
o
olho
esquerdo
fica
mais
escuro
que
o
direito
quando
ficas
preocupado
as
três ruguinhas
entre
os
olhos
acentuam- se
e
a sua
cor
fica
mais
escura
quando
me dizes
que
sou
linda
ficam amendoados
e brilham
Quando
me
dizes
amar
ficam
com
todas
as
cores
do
arco-iris
na
primeira
vez
que
me
olhaste
senti-me
abraçada
nas
outras
vezes
que me olhas
sinto-me
amada
desejada
abraçada
pequenina
protegida
mas
no
dia
que
não
me
amares
e
me
disseres
adeus
por
favor
não
me
olhes
nos
olhos
porque
não
quero
ver
no
teu
olhar
a
despedida
de
tudo
o
que
de
mim
deixei
em
ti.
Ester Cid
imagem: Google
2011
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
TU
Quando me encontraste e me abraçaste com o olhar
recuperei o sorriso
quando os teus lábios se deram a conhecer aos meus
recuperei a esperança
quando as tuas mãos descobriram todo o meu corpo
recuperei a vontade de lutar e viver
sim meu amor
estou/estamos vivos.
EsterCid
recuperei o sorriso
quando os teus lábios se deram a conhecer aos meus
recuperei a esperança
quando as tuas mãos descobriram todo o meu corpo
recuperei a vontade de lutar e viver
sim meu amor
estou/estamos vivos.
EsterCid
domingo, 23 de junho de 2013
RECOMEÇAR
sorrir
com um sorriso de sol
a quem não responda com silêncios frios
caminhar livremente
num jardim primaveril
sentindo borboletas no meu ventre
colher as flores plantadas só para mim
navegar
num mar de águas límpidas
onde todas as marés me pertençam
olhar o céu
bordado de estrelas cintilantes
com uma lua cúmplice
iluminando a minha noite
(e)
recomeçar
sem ter que te inventar
nas ausências.
Ester Cid.
Pintura:SANDRO BOTTICELL
com um sorriso de sol
a quem não responda com silêncios frios
caminhar livremente
num jardim primaveril
sentindo borboletas no meu ventre
colher as flores plantadas só para mim
navegar
num mar de águas límpidas
onde todas as marés me pertençam
olhar o céu
bordado de estrelas cintilantes
com uma lua cúmplice
iluminando a minha noite
(e)
recomeçar
sem ter que te inventar
nas ausências.
Ester Cid.
Pintura:SANDRO BOTTICELL
segunda-feira, 20 de maio de 2013
A MINHA NETA MARIA
Um dia a minha neta Maria que fez dia 19 de Março um ano
andará assim pelos campos Alentejanos.
Irei contar-lhe a história do meu Alentejo e do seu povo sofredor,lutador, generoso e solidário.
Irei ensinar-lhe o nome das flores silvestres, a afagar a terra com doçura entre as suas pequeninas mãos, a beber a água dos riachos e a dançar descalça na rua quando chove... a olhar as estrelas e a lua, a ouvir cantar em liberdade as cotovias, os melros, os grilos, sem esquecer os pássaros nos beirais das casas brancas Alentejanas...junto à lareira irei ler-lhe muitos livros e entre as searas de pão irei fazer-lhe uma coroa de malmequeres brancos e colocar-lhe nos seus cabelos louros, colheremos papoilas vermelhas para juntas darmos aos camaradas que partiram.
Ester Cid.
sábado, 30 de março de 2013
AS MULHERES ALENTEJANAS E AMOROSAS
A mulher alentejana
força
agreste
terra
barrenta
.
morango
silvestre
amora
preta
.
Veste-se
de
negro
discreta
.
Esconde
o
choro
num
riso
franco
.
Olha
o
campo
é
filho
seu
.
nessa
guerra
morreu
.
luto
lhe
deu
.
Raiva
bravia
fundo
barranco
.
é
Sol
e luar
lindo
trigal
.
é
agua
fresca
nascente
.
é
um
farol
luz
luminosa
.
é
força
que
nunca
morre
.
é
suor
transformado
em
pão
.
é
luta
pela
liberdade
.
papoila
revolução
mulher
que
sabe
ter
força
.
para
quando
é
malmequer
.
e
sabe
ser
amorosa
.
quando
o
amor
a quer
.
mulher
doce
solidão
.
sabe
ser
alegria
.
grito
rubro
camarada
.
nos
campos
de
solidão
.
a
força
de
dizer
não
Ester Cid.
Pintura:Cipriano Dourado
segunda-feira, 25 de março de 2013
PÁSSARO ANÓNIMO
Assim como os pássaros voam
todos os dias
à procura
de um lugar seguro
para fazer seu ninho
eu procurei o meu caminho
quem sabe pássaro anónimo
se os nossos caminhos
se voltam a cruzar
eu vou ultrapassar
os meus medos(?)
e no fim do teu voar
no final do meu caminho
vou-te contar um segredo
quero ouvir o teu cantar
e sinto que vou deixar
que faças das minhas mãos ninho.
Ester Cid.
Fotografia:Nuno Miranda
domingo, 10 de março de 2013
MULHERES
Não importa a tua etnia a tua cor
Nem o que chamam de beleza exterior
Se nós Mulheres
Temos no ventre o dom da vida
E no peito
A força guerreira de lutarmos por amor.
Ester Cid
Fotografia: Eu, e a minha filha.
sábado, 9 de março de 2013
MARGENS
Vesti-me de mar
para que pudesses navegar em mim
esperei-te em todas as marés
enfeitei-me de luar
com o brilho das estrelas
encontrei-me e perdi-me
em conchas e búzios segredos
superei as vagas e medos
adocei as águas
acalmei as tempestades
desenhei-te num arco-íris
e
tu
só me olhaste das margens
Ester Cid.
Pintura: VERMEER – “Vista de Delft”
Vesti-me de mar
para que pudesses navegar em mim
esperei-te em todas as marés
enfeitei-me de luar
com o brilho das estrelas
encontrei-me e perdi-me
em conchas e búzios segredos
superei as vagas e medos
adocei as águas
acalmei as tempestades
desenhei-te num arco-íris
e
tu
só me olhaste das margens
Ester Cid.
Pintura: VERMEER – “Vista de Delft”
quarta-feira, 6 de março de 2013
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
VERMELHA FLOR
Ai esta dor que não passa
ai esta dor que não grita
que cada dia silencio
através da minha escrita
pássaro ferido na asa
sem voar e sem ter ninho
na solidão que não passa
neste coração sozinho
só a saudade me enlaça
e é só quando escrevo
que se acalma a minha dor
quero sentir a primavera
quero ser Abril desejo
quero ser vermelha flor.
Ester Cid.
Fotografia:Googole
Ai esta dor que não passa
ai esta dor que não grita
que cada dia silencio
através da minha escrita
pássaro ferido na asa
sem voar e sem ter ninho
na solidão que não passa
neste coração sozinho
só a saudade me enlaça
e é só quando escrevo
que se acalma a minha dor
quero sentir a primavera
quero ser Abril desejo
quero ser vermelha flor.
Ester Cid.
Fotografia:Googole
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
ALENTEJO
Alentejo meu orgulho
minha terra e meu chão
Nesta plana altitude
beija-me o rosto a aragem
e as searas de pão
Alentejo meu amor
na solidão da planície gritante
cegonhas de longas asas abertas
com seu olhar penetrante
eu que não tenho asas
percorro-te em sonhos
em longos voos esvoaçantes
Alentejo meu orgulho
nos teus campos solidão
papoilas rubras grito vermelho
reforma agrária
fartura trabalho pão
Alentejo meu amor
no tempo de primavera
teus campos cheios de flores
o sol dourado alegria
juntas o cante das gentes ao canto da cotovia
esqueces a tua dor
és forte, és belo és camarada és rosto da igualdade
és pastor és mineiro
ceifeiro abegão
agricultor manageiro
és celeiro e és brancura
és antifascista preso
nos tempos da ditadura
Alentejo meu orgulho
que amo tanto de verdade
és Abril revolução
Alentejo meu orgulho
minha terra e meu chão
Nesta plana altitude
beija-me o rosto a aragem
e as searas de pão
Alentejo meu amor
na solidão da planície gritante
cegonhas de longas asas abertas
com seu olhar penetrante
eu que não tenho asas
percorro-te em sonhos
em longos voos esvoaçantes
Alentejo meu orgulho
nos teus campos solidão
papoilas rubras grito vermelho
reforma agrária
fartura trabalho pão
Alentejo meu amor
no tempo de primavera
teus campos cheios de flores
o sol dourado alegria
juntas o cante das gentes ao canto da cotovia
esqueces a tua dor
és forte, és belo és camarada és rosto da igualdade
és pastor és mineiro
ceifeiro abegão
agricultor manageiro
és celeiro e és brancura
és antifascista preso
nos tempos da ditadura
Alentejo meu orgulho
que amo tanto de verdade
és Abril revolução
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
NO DIA QUE TU NASCESTE
no dia que tu nasceste
tudo ficou como estava
o sol
não brilhou mais
que o habitual
não houve
estrelas
a
mais
somente esquecida
das dores
eu mamã sorri
e agradeci
para que o dia fosse
enorme
bastava toda a bondade
ternura
amor
alegria
felicidade
com que olhavas
nos meus olhos
não é segredo
para nós
nem para a gente
que
que
nos conhece
que desde esse dia
duas pessoas
podem ser
uma
só
tal (é)
o amor imenso
que nos
une
no dia
que tu nasceste
nasceu
o amor mãe/filha
em toda a (sua)
plenitude
amo-te muito
tua mamã
Ester cid
Fotografia: Eu, e a minha filha Patrícia
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