segunda-feira, 5 de maio de 2014

"Dia mundial do beijo



Aprendi que pouco tempo é muito

quando estamos longe

dos (a)braços que nos abraçam

do olhar que nos beija

Então...

Aprendi a brincar ao faz de conta

(e)

os meus lábios encontram os teus

na água do rio

Ester Cid 
                     
(ao abrigo do código do autor)                                                               

sábado, 3 de maio de 2014

se não me souberes amar

Se não me souberes amar
como a inquietude do vento que desarruma as folhas secas

como um vulcão em erupção
derramando a sua lava em terras que ficarão férteis

como uma enorme tempestade
que troveja e inunda as cidades e os campos

como a banda musical
que marcha pelas ruas acordando toda a Aldeia

se não me souberes amar
gritando todos os hinos de liberdade e alegria

guarda-me dentro de ti, e abraça-me todos as noites em silêncio.

Ester Cid.
(ao abrigo do código do autor)
11/03/2014
Imagem:Google

                                                                                     


—

terça-feira, 29 de abril de 2014

NÃO FINJAS.

Não finjas amar uma mulher que gosta de ler e ama escrever
não finjas amá-la se não consegues estar a seu lado
abraça-la nas madrugadas de silêncio e palavras

não finjas amar uma mulher que gosta de ler e ama escrever

vais sempre encontrá-la
numa loja de livros em segunda mão
não consegue entrar lá
sem acariciar os livros
e cheirar as suas páginas amarelecidas

vais sempre encontrá-la à beira do rio
no aroma das flores do campo
no riso das crianças
no sabor de um morango
num museu
na pintura do tal quadro
nas tuas viagens
na tua musica preferida
no "hino Avante"
descendo a avenida da/em liberdade
no vento que passa
nas estrelas que brilham
nas ruas da cidade
no chilrear dos passarinhos
no voo das andorinhas
na lua feiticeira
na chuva miudinha
na tempestade
no arco-íris
no anoitecer
nas madrugadas
nos teus lábios
na tua boca
nas tuas mãos
no teu olhar
quando te olhas
no teu corpo
no teu sentir

Não finjas amar uma mulher que gosta de ler e ama escrever
porque corres o risco de ela se tornar o teu livro favorito.

Ester Cid.
Fotografia: Mário Vasa
                                                                         

                                                                

sexta-feira, 25 de abril de 2014

CHEGASTE ABRIL




Chegaste nos braços de corações generosos

no olhar de liberdade de quem preso estava


Chegaste em lábios e bandeiras rubras

chegaste numa mão aberta de ternura

num punho cerrado firme

(e)

escondido no teu bolso em tempos de ditadura

chegaste nas vozes de poetas e cantores

nas flores no mar no riso das crianças

no jovem e no idoso que não deixou morrer a esperança

chegaste nos livros fechados que abriste

em hinos que sufocavam gargantas e prendiam vozes

chegaste por acres de trigais

no canto das rolas, cotovias e daninhos pardais

chegaste no aroma do rosmaninho da giesta da alfazema e do jasmim

chegaste com os camaradas

soldados, mineiros, abegões, ceifeiras e carpinteiros

chegaste às cidades aldeias e vilas morena em cravos vermelhos mil

chegaste depois do adeus

em olhares regresso

chegaste Abril, meu amor

Abril

Abril

Abril

Existe agora

mais de vinte cinco mil razões para contigo fazer amor

(e)

nunca mais te deixar partir.


Ester Cid.

Abril 2014
Fotografia: Google

                                                              

RIO HUMANO

De repente a alegria

ruas praças
transformam-se num rio humano
todos correndo na mesma direcção
como uma doce magia
como se todos tivéssemos um só coração

Tantas mãos, de onde surgem tantas mãos?
mãos que a pouco e pouco
se vão transformando em punhos erguidos
aqui agora tudo faz sentido

a alegria surge de novo
bandeiras e cravos vermelhos
palavras guardadas
no coração do povo
fazem o silêncio estremecer

amigo camarada liberdade Paz Abril Povo

Ester Cid

Fotografia:José Frade
                                                                        


domingo, 20 de abril de 2014

Cravos vermelhos de Abril



São laços que libertam
amarras que se desprendem
grades que se abrem
barcos que chegam
vozes caladas que gritam
punhos cerrados que se erguem
lábios unidos num beijo

São mãos dadas de vontade
Primaveras que florescem
ruas desertas que se enchem
terra fecunda que dá flor
searas que dançam ao vento
risos de crianças mil
corpos que fazem amor
abraços ternos de Abril

São poemas de Ary
Com desenhos de Cunhal
que nasceram na prisão
sempre à espera doutro alguém
canções do Zeca
trás outro amigo também
livros que estavam escondidos
lidos agora na rua
bandeiras rubras guardadas
dançando na nova lua

São o hino de Caxias
olhar doce de ternura
camaradas que partiram
em tempo de ditadura
esperanças e alegrias
sol brilhante da manhã
soldados marinheiros
mineiros camponeses
estivadores e pedreiros

Cravos vermelhos de Abril
erguidos em cada mão
guardiões da liberdade
defensores da Revolução

Poema : Ester Cid

Madrugada de Abril 2014
(ao abrigo do código do autor)
Fotografia: Cravo de Abril da autoria de Adelino Chapa e Paulo Curto Baptista
                                                                         


ABRIL

Ser causa do teu sorriso
companheiro camarada
esperar a tua semente
na minha terra lavrada
ser grito em campo vermelho
aurora amanhecer
amor pela liberdade
poema para tu dizeres
esperança revolução
portas abertas de Abril
Maio vermelho cravo primavera
chuva miudinha de verão
(a)braços à tua espera

Ester Cid

Fotografia: Google
                                                                    

sexta-feira, 18 de abril de 2014

URGENTE

É urgente
não deixar partir o que está prestes a dizer adeus

é urgente
semear cravos em terra morena de fraternidade

é urgente
ouvir o mar e os poetas não silenciar

é urgente
o sol brilhar em cada olhar de chuva

é urgente
dar colo a todas as crianças

é urgente
cantar mil vezes Abril revolução

é urgente
tomar a liberdade como primeira condição

Ester Cid.
(ao abrigo do código do autor)
Fotografia: José Maria Frade


                                                                   




Fotografia: José Maria Frade.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Camarada Irmão Amigo

Não deixes de lutar pela liberdade
semeia vermelhos cravos mil
continua a luta camarada
não deixes que te colham as vontades
e nos Invernos agrestes da jornada
inventa primaveras por Abril

Ester Cid
Fotografia da autoria de José Gema

                                                                       

sexta-feira, 28 de março de 2014

NÁUFRAGO



A sereia cantou e encantou-o

levou-o ao fundo do mar

mostrou-lhe os corais
as ostras de pérolas raras
(e)
ao emergirem beijou-o

Junto das rochas
os golfinhos cantavam de felicidade

saindo da água
estenderam-se na areia branca da praia
enquanto a sereia alegre e docemente
lhe cantava um cântico de embalar
afagava os cabelos
(e)
lhe beijava docemente os lábios
deixando na sua pele
o aroma do mar

o náufrago adormeceu
(e)
sonhou como há muito tempo não sonhava

sonho de
Luas perdidas, esquecidas
encantadas, sentidas
sereias transformadas
embaladas pelas ondas do mar

transformou a sua sereia em princesa
beijou-lhe os pés
enquanto lhe calçava uns sapatos de lua
beijou-lhe os seios
ao mesmo tempo que a vestia de céu
(e)
dançaram e riram sem tempo

ao despertar
o náufrago sentiu ser
possível escapar
do canto da sua sereia

mas do seu silêncio
por certo jamais

(e)

todas as noites
lê poemas de mar
para a sentir no seu céu da boca

Ester Cid.
Madrugada de 15/03/2014

      
Pintura: O Pescador e a Sereia - Lord Frederick Leighton.                                                      

quinta-feira, 13 de março de 2014

INESQUECÍVEL



Inesquecível

tu

mesmo longe
penetraste em mim
com a delicadeza
de uma flor

inesquecível

tu

mesmo longe
penetraste em mim
com a ternura
de um olhar

inesquecível

tu

mesmo longe
penetraste na mulher das palavras
com silêncios

inesquecível

tu

mesmo longe
penetraste em mim

(e)

entrando
nos meus sentidos
em todos os meus poros
ficares em mim
como um gemido

inesquecível

tu

mesmo longe
penetraste em mim
como um poema por terminar
como uma canção de amor
por cantar

incrível
tu
mesmo longe
teres em mim penetrado

inesquecível
é como
tu
ficarás em mim

mesmo
que o meu corpo
nunca o tenhas
penetrado.

Ester Cid
(ao abrigo do código do autor)
imagem:Google

                                                                 

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

O RELÓGIO DO MEU AVÔ

Quando raramente coloco (tenho medo de o perder) um fio de ouro, que tendo pertencido à minha bisavó, á minha avô, de quem também herdei o nome Ester e à minha mãe, pelos meus 14 anos veio parar a mim. Lembro-me de o meu avô materno olhar para mim com o olhar enternecido e orgulhoso, como se eu, com aquele minúsculo fio de ouro, trouxesse todas as mulheres da família ao seu olhar.


Lembro-me da cumplicidade que me unia ao meu avô em cada livro lido e explicado com a paciência que só os avós sabem ter, dos discos de vinil ouvidos em segredo à hora da sesta e de seguida guardados no baú dos segredos partilhados entre mim e o meu avô. Lembro-me de eu e o meu avó nos zangarmos por causa de um relógio de parede a que ele dava corda e gostava de ouvir dar horas ruidosamente e que eu detestava ouvir. Ainda por cima, aquele relógio dava também os quartos de hora.


Consegui entrar num acordo com o meu avô e o relógio de parede que se encontrava na sala era parado pelo meu avô, segurando o pêndulo do relógio até ele deixar de fazer aquele barulho, que para mim me parecia o barulho de um coração angustiado, todas as noites antes de jantar o relógio era silenciado e só voltava a "pulsar" depois de eu sair para as aulas.


Este ano, no último dia da Festa do Avante, apeteceu-me colocar ao pescoço o minúsculo fio de ouro. Senti que neste gesto levei todas as mulheres da minha família à Festa, lembrei o "pulsar" do relógio de parede, veio-me à memória as conversas entre mim e o meu avô, os seus sonhos de viver num país de liberdade. Senti que estava na hora de passar para a minha filha este legado das mulheres da família. Pensei em como seria bom ter o meu avô aqui neste deslumbramento de Festa da liberdade e da fraternidade, como gostava que ele soubesse que o jornal, que ele tantas vezes escondeu no baú, tinha uma Festa com o seu nome AVANTE.


Parece que neste parar de horas eu inconscientemente queria que o tempo parasse para agora o ter aqui comigo. E não é que senti tantas... mas tantas saudades de ouvir o barulhento relógio do meu avô "pulsar" novamente depois de o meu avô lhe dar corda.

Ester Cid
Festa do Avante 2011
                                                     

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

BATOTA BOA

Hoje
resolvi fazer o jogo "batota boa"
não faças caso
coisas tontas de "poeta" tonta
que por vezes resultam
e me fazem bem ao coração

então
fechei os olhos
aconcheguei-me nas lembranças
vividas

e
muito ternamente
comecei a "colar-te"
nos momentos da minha vida

e 
com "batota"

estás sentado comigo
no banco da escolinha
e dividimos o nosso lanche

estás comigo 
na descoberta
do primeiro beijo

estás comigo
quando sofri
a primeira desilusão

estás comigo 
na primeira
manifestação de Abril

estás comigo
no dia do meu casamento

estás comigo
quando fui mãe
pela primeira vez
e perdi o meu filho
no parto 

estás comigo
quando feliz
me fui inscrever
no nosso
partido

estás comigo
quando mãe
pela segunda vez fui 

e me senti
a mulher
mais completa
e realizada
do mundo

estás comigo
quando escrevo 
o primeiro poema

estás comigo
quando festejo o 1º de Maio
em liberdade

estás comigo
quando fui operada
e 
acalmas o meu medo

estás comigo
quando
desesperadamente só
caminho à chuva
de que tanto gosto

Estou com sono
não quero jogar mais

Porque será 
que  as coisas boas
chegam sempre

tardiamente
à minha vida

Ester Cid 
imagem. Google 

sábado, 1 de fevereiro de 2014

MULHERES DE ABRIL

Mulher revolução
rompeste
praças e ruas
inundando de cravos
a cidade
mulher liberdade
fez-te companhia
levando no regaço
as rubras bandeiras
guardadas há muito
no coração 
das gentes
Depois do adeus
na esquina 
esperava -nos
o rosto da
mulher igualdade
A mulher esperança
de mão dada
com a mulher fraternidade
sorriram-nos
abraçando-nos
e neste país
o nosso Abril
foi mãe, mulher
de muitos mil.

Ester Cid


segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

PRIMAVERA


voaste no meu corpo
ninho quente
voos
ardentes de paixão
em mim
descobriste primaveras
arco-irís
céu azul
sol de verão
alegres voos
cantar
poesia
sem nunca sentires
a solidão
voaste
do meu corpo
sol de inverno
sem perceberes
que sou ainda Primavera


Ester Cid



BOTTICELLI - "Primavera"

domingo, 26 de janeiro de 2014

AMIGOS PARA SEMPRE.




amiga ester(inha)



Só tu!

minha querida

sou-te sempre sempre obrigado

como muito bem

sabes

.

és

a prática e a teoria

a coragem e a sensibilidade

a religiosidade e o desejo de comunhão

a doçura e a combatividade

a mulher da liberdade

de pensamento

e de acção

de luta

pela sociedade comunista

que ansiamos

e pela qual

sempre sempre

lutaremos



- mesmo que porventura nunca a vejamos

mas que sabemos virá

tarde ou cedo

virá -

.

tudo isso

és

numa só

única e una pessoa

que sempre sabe estar presente

nos momentos

cruciais



és

enfim

a verdadeira amiga

a verdadeira camarada

em toda a verdade

e singeleza

.

a ti

sei

que amo

mas também sei

que recíproco

é

.

sei

que me amas

sei que nunca me utilizarás

como carne para

"canhão"

como meio para os teus fins

nem os de quaisquer(s)

outros/as



- ainda que a tal quais cobras do paraíso

te venham aliciar

ao ouvido -



porque

os teus fins

são serão sempre comuns

com os meus

.

doce e corajosa

combatente mulher alentejana

muro forte

em monforte e abril construída

minha amiga

amo-te

sem medo da palavra amar

- como as pessoas

hábito

tem -

.

ser amigo

é estar lá

no momento certo

em que dele precisamos

com um braço sobre o ombro

um gesto um olhar

nos olhos

e não em lições de cátedra

nas nossas costas tecidas

em puríssima traição

sem sequer

nos

ouvirem



ou como víboras

que em nós se querem

enlaçar

mas quando

"não"

lhes dizemos

- repetidas vezes com toda a paciência deste e do outro mundo -

elas aí estão

com a sua língua bífida

a espalhar veneno

nas nossas

costas



entre

os que julgávamos amigos

que em todo o inesperado

- em breve aliciamento -

nos traiem

.

sim

sinto falta

de todos os dias acordar

e sentar-me a esta mesa

olhando (o) em torno

e dentro de

mim



deixando

sair

o que me atravessa

o que me surja

dizer

o que em cada manhã

melhor exprima o homem

que sou



o ser

transparente

como estas límpidas palavras

que da boca

me

saem

.

irei

voltar a escrever

sempre que tal me surja

como uma interior necessidade

que não possa suster

e apele a libertar-se

de mim

do mais dentro

de mim

.

eu

nunca

trairei os meus amigos

e se algo tiver a dizer-lhes

será

antes de mais

de olhos nos

olhos



mas antes

procurarei ouvir

o que a dizer

me têm

.

isso sim

é

ser

i

humano

e

amigo

fjc

Filipe Jorge Chinita





Querido amigo e camarada Filipe Chinita



Não me agradeças

mas por favor

continua a escrever.



não me agradeças

mas por favor

continua a dar-nos voz



no teu aniversário

disse-te

as tuas palavras

serão sempre

as nossas palavras.



por favor

não nos deixes

sem voz

escreve.

escreve sempre

precisamos de ti.



precisamos de ti

na nossa luta

por

um mundo

mais justo

mais humano.



da tua janela

observa

os trabalhadores

e conta-nos

o seu sentir



escreve

sobre o amor

ás mulheres

e das mulheres

como tu

tão bem

sabes.

faz-nos

sentir

lindas

especiais.



escreve sobre

o humano

como só tu

o consegues fazer



escreve

sobre a luta de classes

escreve

sobre os nossos

ideais



escreve

o que tu quiseres

e achares

mas, por favor

escreve.



obrigada

meu querido

amigo e camarada

Amo-te!

Esterinha


























Arte: Luaninha Luana

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

A MENINA QUE SABE GUARDAR SEGREDOS.



Desejo que ao receberes este meu aerograma estejas bem de saúde - nós estamos bem, felizmente. Assim começavam sempre as centenas de aerogramas, cartas e postais que a minha mãe lia e escrevia para as suas vizinhas, amigas e camaradas. Era das poucas mulheres que sabiam ler na nossa rua do Alentejo.

Lembro-me de marcarem hora para irem lá a casa para que a minha mãe lê-se ou escrevesse aos maridos, namorados e filhos na guerra colonial... postais para os maridos, irmãos e pais presos em Caxias. Estas ultimas quase sem terem resposta( só mais tarde entendi o porquê) Era um partilhar de segredos, medos, aflições e esperanças. Lembro-me também da paciência e amor que a mãe tinha para resumir em palavras que bastassem aquelas intermináveis conversas, que como eram ditadas não cabiam no aerograma, carta ou postal.

Sempre que alguma mulher vinha ouvir ou ditar uma carta, eu e os meus irmãos já sabíamos que era tempo de brincar na rua ou no Inverno de irmos para a cozinha improvisada no quintal. A vida daquelas mulheres era partilhada com a minha mãe, com uma cumplicidade e amizade que embora muito menina me emocionava.

Uma tarde de Inverno a vizinha Maria Beatriz veio para que a minha mãe lhe escrevesse uma carta para o marido que estava a trabalhar em Lisboa. Assim que a vizinha chegou nós como habitualmente íamos sair para a cozinha do quintal

quando a mãe me chamou e disse "Filha, tu ficas. Vais aprender como tratar da correspondência das nossas amigas, para quando a mãe for para o hospital ser operada à perna tu poderes continuar a minha tarefa".

Lembro-me do orgulho e alegria que senti, lembro-me das centenas de aerogramas , cartas postais que li e escrevi. Nascida de uma família humilde alentejana, foi uma das heranças mais valiosas que a minha mãe me deixou.

Ester Cid
Imagem:google 
                                                                           

domingo, 12 de janeiro de 2014

Sem volta

Uma noite
quando vires a lua pousada numa árvore
pensa por um minuto no poeta
cuja tristeza foi tão grande
que viajou para um país
de onde nunca nunca se volta

Ester Cid
Fotografia de Iain Wilson

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Ama-me!


Ama-me
ai
ama-me
na distancia
ama-me
quando
contemplares a lua
ama-me
sentindo-me
tua
ama-me
como
se não existe
amanhã
ama-me
quando
ternamente
te chamo
tonto
ama-me
porque sim
pronto
ama-me
quando
estou a rir
ama-me
sem me sentires
ama-me
em segredo
ama-me
com os meus medos
ama-me
na minha força
ama-me
no amanhecer
ama-me
quando choro
ama-me
quando  digo
adoro
ama-me
como se não
me amasses
mas.
ama-me.


Poema de Ester cid
Fotografia de Emanuel Pereira Aparicio Ribeiro







terça-feira, 10 de dezembro de 2013



ENCONTRA-ME

Se não souberes encontrar-me

procura-me

no vento que te beija

no sol que te aquece
nas gotas de chuva que contigo brincam
numa noite de lua cheia
na estrela mais brilhante

se não souberes encontrar-me
passa os teus dedos pelos teus lábios
e eu estarei lá

se não souberes encontrar-me
passa as tuas mãos pelo teu corpo
e irás encontrar-me nas palavras
com que terna e docemente te vesti

Se te perderes ao procurar-me
segue a voz do teu coração
e vais encontrar-me
vestida com o teu olhar
que um dia me abraçou.

Ester Cid.
3-Março 2012

LORENZO GHIBERTI – “Porta do Paraíso” (1453)

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013




INTERROGAÇÃO.

Posso fingir que não me despertaste poesia
posso até fingir que não sei que leste o que escrevi
mas como posso fingir a doçura que leio no teu olhar
de cada vez que os nossos olhos se beijam infinitamente
e nos tocamos apaixonadamente sem gestos .

Ester Cid.
Fotografia:Jaime Bahia


                                                                                    


















sábado, 30 de novembro de 2013

O TEU OLHAR


Sabes
sei
ver
no
teu
olhar
o
teu
sentir

quando
estás
triste
o
olho
esquerdo
fica
mais
escuro
que
o
direito

quando
ficas
preocupado
as
três ruguinhas
entre
os
olhos
acentuam- se
e
a sua
cor
fica
mais
escura

quando
me dizes
que
sou
linda
ficam amendoados
e brilham

Quando
me
dizes
amar
ficam
com
todas
as
cores
do
arco-iris

na
primeira
vez
que
me
olhaste
senti-me
abraçada

nas
outras
vezes
que me olhas
sinto-me
amada
desejada
abraçada
pequenina
protegida

mas
no
dia
que
não
me
amares
e
me
disseres
adeus
por
favor
não
me
olhes
nos
olhos
porque
não
quero
ver
no
teu
olhar
a
despedida
de
tudo
o
que
de
mim
deixei
em
ti.

Ester Cid
imagem: Google
2011
                                                                     


quarta-feira, 7 de agosto de 2013

TU

Quando me encontraste e me abraçaste com o olhar
recuperei o sorriso
quando os teus lábios se deram a conhecer aos meus
recuperei a esperança
quando as tuas mãos descobriram todo o meu corpo
recuperei a vontade de lutar e viver
sim meu amor
estou/estamos vivos.

EsterCid
Fotografia:Iain Wilson